A maioria de nós nunca diria a um bom amigo o que diz a si mesmo nos momentos de silêncio. Confortamos os outros com calor e compreensão — mas a nós mesmos nos tratamos com crítica, vergonha e exigências de sermos melhores. O que aconteceria se você se tratasse com o mesmo cuidado que dedica às pessoas que ama? Essa é exatamente a pergunta que está no coração da autocompaixão.
O que é autocompaixão, afinal?
Autocompaixão não é a mesma coisa que autopiedade ou se desculpar. Também não é uma forma de egoísmo introspectivo. A psicóloga Kristin Neff, uma das principais pesquisadoras do mundo nesta área, descreve a autocompaixão como consistindo de três elementos: gentileza consigo mesmo, o reconhecimento de que o sofrimento e os erros fazem parte de ser humano, e uma atenção consciente e sem julgamentos aos seus próprios sentimentos.
Soa simples. Mas na prática, é tudo menos isso. Para muitos de nós, a voz interior é áspera, impaciente e implacável — e na verdade acreditamos que ela nos ajuda. Que a autocrítica nos mantém afiados e motivados. No entanto, a pesquisa mostra o oposto: a autocrítica excessiva está associada a ansiedade, depressão e menor resiliência. A autocompaixão, por outro lado, está ligada a maior estabilidade emocional e melhor capacidade de se recuperar após adversidades.
Por que é tão difícil?
Uma das razões pelas quais a autocompaixão parece estranha é que muitos de nós aprendemos que precisamos merecer cuidado. Que devemos realizar algo, alcançar uma meta, ser "bom o suficiente" — antes de podermos descansar. Essa crença está profundamente enraizada, frequentemente plantada na infância, e nos guia mais do que sabemos.
Há também uma dimensão cultural. Em muitas sociedades, incluindo a dinamarquesa e brasileira, há uma forte tradição de não reclamar, não fazer muito alarde e se virar sozinho. Tratar a si mesmo com abertura e cuidado pode parecer uma violação dessas regras não ditas — algo fraco ou errado.
E depois há o medo. O medo de que se pararmos de nos pressionar, tudo desabe. Que nos tornemos preguiçosos, desinteressados, indiferentes. Mas essa é uma má interpretação. Autocompaixão não substitui responsabilidade — ela nos oferece o fundamento que precisamos para agir a partir de um lugar de força, e não de medo.
Um primeiro passo
Praticar autocompaixão não precisa começar com grandes mudanças. Pode começar com algo tão simples quanto notar como você fala consigo mesmo — e perguntar: Eu diria isso a uma pessoa que amo?
Kristin Neff sugere um exercício simples que chama de "pausa de autocompaixão": Quando você percebe que está sofrendo, pode dizer a si mesmo — "Este é um momento de dor. A dor faz parte da vida. Que eu possa me tratar com gentileza." Não é mágica. Mas é um passo na direção de uma maneira diferente de estar consigo mesmo.
Então aqui está um convite: Pense em uma situação recente em que você foi duro consigo mesmo. O que você teria dito a um amigo na mesma situação — e o que significaria para você se dissesse isso a si mesmo em vez disso?
AIA kender disse teorier og kan hjælpe dig med at forstå dem i din egen situation.
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